Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical
34(2): 223-228, mar-abr, 2001.
INFORME TÉCNICO
Mudanças no controle da leishmaniose visceral no Brasil
Changes in the control program of visceral leishmaniasis in Brazil
Depois de duas décadas de tentativas de controle da leishmaniose visceral (LV) no Brasil, o número de casos
no país aumentou nitidamente e invadiu áreas urbanas, onde encontrou-se com a AIDS27. A recente proposta do Ministério da Saúde de reavaliar os programas de controle de endemias, aliada ao econhecimento da pouca eficiência do programa brasileiro para LV, levou à convocação de um comitê de consultores para analisar o programa atual e propor mudanças para o controle da doença no país. Foram realizadas algumas reuniões do grupo técnico, a última tendo ocorrido em 4 de dezembro de 2000 em Brasília. Esta reunião contou com a presença dos consultores da Ministerio da Saúde e Técnico da Fundação Nacional de Saúde: Almério de Castro Gomes (Universidade de São Paulo), Carlos Henrique Nery Costa ( Universidade Federal do Piauí), Jackson Mauricio Lopes Costa (Universidade Federal do Maranhão), João Batista Furtado Vieira (Fundação Nacional de Saúde), José Wellington de Oliveira Lima (Fundação Nacional de Saúde) e Reinaldo Dietze (Universidade Federal do Espírito Santo). Em fevereiro de 2001, as modificações propostas foram apresentadas para os representantes d as secretarias estaduais de saúde e das coordenações regionais da Fundação Nacional de Saúde, para implementação.
O programa brasileiro, iniciado há mais de 40 anos, é composto pela integração de três medidas de
saúde pública: a distribuição gratuita do tratamento específico, o controle de reservatórios domésticos e o
controle de vetores. A medicação distribuída nas unidades públicas de saúde onde se trata LV são
compostos de antimônio pentavalente, com dose recomendada de 20mg/kg/dia por no mínimo 20 dias.
O controle de reservatórios tem sido feito através do diagnóstico sorológico de todos os cães domésticos
onde existe transmissão de Leishmania chagasi para seres humanos. Para isto, foi estruturada uma rede de
testes de imunofluorescência, utilizando-se eluato de papel de filtro; todos os cães com resultado reagente
têm sido sacrificados. Finalmente, o controle do vetor, essencialmente para o flebótomo Lutzomyia longipalpis,é aplicado eventualmente com o uso de inseticidas, por aspersão espacial (principalmente) ou por aplicaçãoresidual 22 29.
A recente epidemia devastadora do Sudão, onde populações deslocadas pela guerra civil tinham pouco
acesso à medicação para LV 31, deixou claro que a ampladistribuição gratuita do tratamento específico é crucial para a prevenção da morte, particularmente entre os mais pobres, contingente que constitui a maioria das vítimas de LV.
Salvo pequenas modificações, decorrentes de análises e experiências recentes, as recomendações
anteriores para o tratamento específico foram ratificadas pelo comitê de consultores. Baseado em revisão dos
esquemas utilizados até o presente, sugeriu-se passar a duração mínima de 20 dias para 30 dias 6. A excreção quase totalmente renal do antimônio pentavalente8 21 e ausência de tabela para uso em pacientes com insuficiência renal, a conhecida eliminação extra-renal da anfotericina B12 e o fato de seus níveis séricos não serem afetados na insuficiência renal5 (e apesar de sua nefrotoxicidade) levaram à indicação do uso, ainda que cauteloso, de anfotericina B como droga de escolha para pacientes com LV em insuficiência renal. A segurança do uso de anfotericina B na gestação33 34 e a falta de estudos conclusivos sobre a teratogenicidade de antimônio23, levaram à recomendação de indicação de anfotericina B na gestação. Foram consideradas medidas de segurança a dosagem de creatinina do soro antes do início do tratamento e o acompanhamento eletrocardiográfico de pessoas mais velhas ou com cardiopatias.
O programa de eliminação de cães domésticos apresenta o menor suporte técnico-científico entre as
3 estratégias do programa de controle. Foram identificados 10 pontos de maior fragilidade: 1) A falta
de correlação espacial entre a incidência cumulativa de LV humana com a soroprevalência canina26.
2) A ausência de risco significativo de coabitação com cães para aquisição de LV 10. 3) A demonstração teórica de que é um método pouco eficiente em comparação com as estratégias de controle vetorial e de
suplementação alimentar15 30. 4) A demonstração de que outros reservatórios podem ser fontes de infecção
de L. chagasi, tais como pessoas (particularmente crianças desnutridas que podem transmitir para
outras crianças)11, canídeos silvestres13 e marsupiais32. 5) A grande velocidade com que a população canina é reposta, exigindo proporção e freqüência de retiradas de cães soropositivos impraticáveis7.
6) A baixa eficiência dos testes sorológicos em detectar infecção canina16. 7) A utilização de um único método para efetuar as duas funções de teste de triagem e de teste confirmatório para infecção por L. chagasi; isto conduz a elevado custo por benefício devido à alta proporção de resultados falso-positivos, particularmente quando a prevalência real é baixa18 35. 8) A falta de indicadores clínicos ou laboratoriais de infectividade de cães para o vetor 28. 9)
A ausência de experiências anteriores que tenham demonstrado vantagens exclusivas da eliminação de
cães, pois todos os relatos de sucesso de programas de controle de LV onde foram eliminados cães
descrevem também o controle de vetores com inseticidas1 24 25. 10) A publicação de observações e
ensaios em que se verificou que quando esta medida foi aplicada sozinha, não houve demonstração
inequívoca da vantagem de seu uso em reduzir a incidência de LV em seres humanos3 14 17.
Os consultores recomendaram então que a triagem sorológica universal sistemática de todos os cães seguida de eliminação deve ser suspensa. Sugeriram que, na ausência do vetor ou de casos humanos, as únicas medidas para as áreas com leishmaniose visceral canina devem ser de vigilância e de educação em saúde. Devem ser promovidos inquéritos sorológicos amostrais contingenciais de infecção canina e a intensificação da identificação de vetores. Indicaram a necessidade de formulação de programa de educação sobre a doença para o pessoal de saúde no sentido de alertar para o diagnóstico em seres humanos, e outro programa educativo, voltado para médicos-veterinários, com a recomendação de não tratarem cães doentes com as drogas disponíveis, tanto pela ineficiência como medida de saúde pública devido à infectividade para flebótomos de cães tratados como pelo risco de desenvolvimento de resistência à medicação a longo prazo2.
Foi recomendado também que a população seja alertada para solicitar às unidades de controle de zoonoses o exame de seus cães com sintomatologia suspeita. Foi indicado que o teste sorológico de eluato de sangue em papel de filtro deva ser substituído por sorologia convencional. O comitê acha que a eliminação de cães deve ser restrita apenas para as situações em que o diagnóstico de leishmaniose visceral for confirmado parasitologicamente ou que exames sorológicos confirmem casos clinicamente suspeitos, em cães procedentes de áreas endêmicas.
Fundamentado em numerosos relatos e ensaios de bons resultados no controle de LV onde houve aplicação de inseticidas para o controle de LV, antroponótico ou não, ou de outras doenças transmitidas por vetores, tais como malária e doença de Chagas1 9 19 20, os consultores enfatizaram que a prioridade do programa de controle da transmissão deve ser dada para o controle de vetores, em vez da atual ênfase conferida ao controle de reservatórios. O comitê sugeriu a distinção entre as circunstâncias em que o uso de inseticidas está formalmente indicado das situações em que medidas mais conservadoras devem ser tomadas. Recomendou que a aplicação de inseticidas só pode ser efetivada quando houver registro de casos humanos na área. Mesmo na presença de casos humanos, o comitê só recomendou o controle de vetores para as áreas onde pelo uma das três seguintes situações estiver presente em uma área limitada: 1) Introdução recente da doença. 2) Aumento nítido da incidência. 3) Incidência cumulativa maior que 5 casos por 100.000 habitantes por ano. Quando nenhuma das características acima estiver presente, o comitê recomendou que apenas se intensifique a tentativa de identificação de casos humanos adicionais na área (buscando justificativa adicional para uso eventual de inseticidas), o treinamento de profissionais de saúde para assegurar o reconhecimento da doença e a ampliação da procura do vetor para as áreas vizinhas. Ressaltou que a aplicação de inseticidas deve-se restringir a aplicações residuais, com cobertura extensiva de todo o domicílio e seus anexos.
O comitê enfatizou os resultados de um estudo de coorte que havia identificado um maior risco de crianças
desnutridas infectadas por L. chagasi desenvolverem os sintomas de LV4. Mesmo ciente que esta associação
não foi confirmada em dois outros estudos de coorte16 29, (talvez decorrente de erro tipo II16, ou da carência de algum nutriente de efeito ainda desconhecido na LV, ausente em uma área mas presente nas outras) classificou o fator de risco como relevante e passível de intervenção. Por isto, recomendou que o
programa de controle de leishmaniose visceral se articule com os programas de assistência nutricional,
a fim de priorizar suplementação alimentar às crianças de alto risco de infecção por L. chagasi.
O comitê de assessores reconheceu que muitos pontos da epidemiologia e profilaxia da LV não estão ainda
devidamente esclarecidos, o que dificultou a escolha das melhores recomendações. Por isto, sugere que o Ministério da Saúde e agências oficiais de fomento à pesquisa devam encomendar pesquisas à comunidade científica sobre a epidemiologia e o controle da LV. Chama especial atenção para tópicos relevantes tais como: quais são de fato as principais fontes de L. chagasi para populações humanas; testes diagnósticos que identifiquem a infectividade de cães para Lu. longipalpis; e a análise de estratégias para o uso de inseticidas mais efetivas e menos danosas.
O comitê entende que existem recomendações com alguma imprecisão mas acredita que possam ser mais adequadamente especificadas através de decisões tomadas localmente, de acordo com as peculiaridades regionais. Finalmente, o comitê acredita que as modificações propostas resultarão em aplicação mais racional e eficiente dos recursos destinados ao controle desta endemia..
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REPRODUZIDO POR CRISTIANE DE MELO PROFESSORA DE BIOLOGIA E ALUNA DA ESPECIALIZAÇÃO EM SAÚDE PÚBLICA DA UECE
BIOVIDA
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
sábado, 10 de setembro de 2011
Síndrome dos ovários policísticos e a alimentação
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma das desordens endócrinas mais freqüentes em mulheres na idade reprodutiva, com prevalência de 6 a 10%, representando 20 a 30% dos casos de infertilidade feminina. O quadro clínico da SOP é variável, mas, em geral caracteriza-se por produção excessiva de pêlos e/ou acne, com ausência de ovulação associada a distúrbio menstrual e infertilidade. A SOP é um importante fator de risco para o desenvolvimento de diabetes mellitus tipo 2 (devido a resistência à insulina que normalmente este grupo apresenta), doenças cardiovasculares, obesidade, hipertensão, infertilidade e câncer do endométrio.
Para o tratamento, é primordial mudanças no estilo de vida com introdução de alimentos adequados, suplementação (se necessário) e prática de exercícios físicos regulares, que juntos podem ser um grande aliado para a perda de peso e consequentemente melhora da sensibilidade à insulina, o que pode ser um fator determinante na redução dos sintomas.
Para tratar nutricionalmente uma paciente com SOP dentro da visão da Nutrição Funcional, é imprescindível não somente a tentativa de melhorar os sintomas e a característica da síndrome (como obesidade, resistência à insulina, hiperandrogenia e infertilidade), como também prevenir as patologias a elas associadas, além de tentar restabelecer o equilíbrio bioquímico dos pacientes, respeitando a individualidade de cada uma.
Seguem algumas condutas imprescindíveis para o sucesso do tratamento:
Na sequência, é necessário também ingerir boas fontes de Ômega 3, grãos e cereais integrais, vegetais verdes escuros (priorize os orgânicos sempre que possível), canela, chá verde, cacau, batata Yacon, linhaça, amido resistente (presente na banana verde) além de nutrientes como Vitamina E, Vitamina A, Selênio, Magnésio, Zinco, Manganês, Cromo, Vitamina C, Vitamina D, Ácido Lipóico, Resveratrol, Coenzima Q10, Vanádio, Taurina, N-acetil-cisteína e alimentos de baixo índice glicêmico, pois diminuem as concentrações de insulina no sangue. Índice glicêmico é a velocidade que a glicose chega ao sangue, e esses níveis de glicose que determinam a quantidade de insulina que o pâncreas vai produzir. A insulina é um hormônio que se encarrega de “levar” glicose às células, e converte o excesso que as células não puderam utilizar em gordura corporal.
ALIMENTOS E HÁBITOS QUE DEVEM SER ELIMINADOS (pois reduzem a sensibilidade à insulina):
- Retirar embutidos em geral (presunto, salsicha, linguiça, e similares);
- açúcares (balas, chicletes, doces, biscoitos recheados...);
- carnes vermelhas em excesso;
- longos períodos em jejum (tempo superior a 4 horas);
- sedentarismo;
- refrigerantes de qualquer espécie;
- carboidratos refinados (pães, massas, biscoitos, salgados...);
- leites e derivados;
- comer excessivamente;
- ingestão de gorduras saturadas e trans.
A imagem não ficou boa, por isso é só clicar em cima e "salvar como" em qualquer área que você desejar do seu computador, e depois abrir, ampliar e visualizar a imagem que fala sobre o índice glicêmico baixo, médio e alto.
Essa artigo foi produzido pela nutricionista Silvia Coelho, colaboradora do livro "Nutrição Funcional".
Cristiane de Melo
Bióloga e professora de escola pública do estado do Ceará
Aluna do curso de especialização em Gestão em Saúde Pública da UECE
Para o tratamento, é primordial mudanças no estilo de vida com introdução de alimentos adequados, suplementação (se necessário) e prática de exercícios físicos regulares, que juntos podem ser um grande aliado para a perda de peso e consequentemente melhora da sensibilidade à insulina, o que pode ser um fator determinante na redução dos sintomas.
Para tratar nutricionalmente uma paciente com SOP dentro da visão da Nutrição Funcional, é imprescindível não somente a tentativa de melhorar os sintomas e a característica da síndrome (como obesidade, resistência à insulina, hiperandrogenia e infertilidade), como também prevenir as patologias a elas associadas, além de tentar restabelecer o equilíbrio bioquímico dos pacientes, respeitando a individualidade de cada uma.
Seguem algumas condutas imprescindíveis para o sucesso do tratamento:
Na sequência, é necessário também ingerir boas fontes de Ômega 3, grãos e cereais integrais, vegetais verdes escuros (priorize os orgânicos sempre que possível), canela, chá verde, cacau, batata Yacon, linhaça, amido resistente (presente na banana verde) além de nutrientes como Vitamina E, Vitamina A, Selênio, Magnésio, Zinco, Manganês, Cromo, Vitamina C, Vitamina D, Ácido Lipóico, Resveratrol, Coenzima Q10, Vanádio, Taurina, N-acetil-cisteína e alimentos de baixo índice glicêmico, pois diminuem as concentrações de insulina no sangue. Índice glicêmico é a velocidade que a glicose chega ao sangue, e esses níveis de glicose que determinam a quantidade de insulina que o pâncreas vai produzir. A insulina é um hormônio que se encarrega de “levar” glicose às células, e converte o excesso que as células não puderam utilizar em gordura corporal.
ALIMENTOS E HÁBITOS QUE DEVEM SER ELIMINADOS (pois reduzem a sensibilidade à insulina):
- Retirar embutidos em geral (presunto, salsicha, linguiça, e similares);
- açúcares (balas, chicletes, doces, biscoitos recheados...);
- carnes vermelhas em excesso;
- longos períodos em jejum (tempo superior a 4 horas);
- sedentarismo;
- refrigerantes de qualquer espécie;
- carboidratos refinados (pães, massas, biscoitos, salgados...);
- leites e derivados;
- comer excessivamente;
- ingestão de gorduras saturadas e trans.
A imagem não ficou boa, por isso é só clicar em cima e "salvar como" em qualquer área que você desejar do seu computador, e depois abrir, ampliar e visualizar a imagem que fala sobre o índice glicêmico baixo, médio e alto.
Essa artigo foi produzido pela nutricionista Silvia Coelho, colaboradora do livro "Nutrição Funcional".
Cristiane de Melo
Bióloga e professora de escola pública do estado do Ceará
Aluna do curso de especialização em Gestão em Saúde Pública da UECE
domingo, 8 de maio de 2011
COMO SOBREVIVER AO POSSÍVEL QUASE IMPOSSÍVEL
Pessoal, eu tenho uma dica de site muito bem humorada da revista super interessante, lá você encontra um link chamado "supermanual". É mesmo para morrer de rir, no bom sentido, claro.
Veja alguns tópicos:
."Como sobreviver a um ataque nuclear", afinal de contas todo país tem bomba nuclear, menos o Brasil.
."Como sobreviver a morte do sol", fundamental, ainda mais que o sol só morrerá daqui a alguns bilhões de anos.
."Como escapar do crime organizado", se você mora no Brasil, na Itália ou quem sabe na Rússia, você vai com certeza precisar disso!
."Como ganhar o big brother", todo mundo precisa aprender isso hoje em dia.
Claro, você também precisa aprender uma única posição corporal que vai salvá-lo em casos de terremoto, furacão e deslizamento de terra, no tópico denominado "Como sobreviver a um desastre natural".
Tem ainda "Como sobreviver a um ataque de robós", que útil!
E se você é do tipo que está pensando em pular de paraquedas, como minha amiga Camila, tem uma dica excelente:"Como sobreviver se o paraquedas não abrir"
E o mais hilário, disparado, trata-se de como evitar ser abduzido por alieníginas.O site sugere até usar sal, isso mesmo sal de cozinha, que segundo eles é corrosivo para pele delicada dos alieníginas(como é que eles sabem disso?). Importantíssimo!
Como diria a revista Seleções "Rir é o melhor remédio", no caso da revista Superinteressante desse mês, ficar deprimido é o melhor para tomar atitudes mais coerentes.Seria cômico, se não fosse trágico.Quem disse isso mesmo em?
CRISTIANE DE MELO - ALUNA DA ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO EM SAÚDE PÚBLICA DA UECE
Veja alguns tópicos:
."Como sobreviver a um ataque nuclear", afinal de contas todo país tem bomba nuclear, menos o Brasil.
."Como sobreviver a morte do sol", fundamental, ainda mais que o sol só morrerá daqui a alguns bilhões de anos.
."Como escapar do crime organizado", se você mora no Brasil, na Itália ou quem sabe na Rússia, você vai com certeza precisar disso!
."Como ganhar o big brother", todo mundo precisa aprender isso hoje em dia.
Claro, você também precisa aprender uma única posição corporal que vai salvá-lo em casos de terremoto, furacão e deslizamento de terra, no tópico denominado "Como sobreviver a um desastre natural".
Tem ainda "Como sobreviver a um ataque de robós", que útil!
E se você é do tipo que está pensando em pular de paraquedas, como minha amiga Camila, tem uma dica excelente:"Como sobreviver se o paraquedas não abrir"
E o mais hilário, disparado, trata-se de como evitar ser abduzido por alieníginas.O site sugere até usar sal, isso mesmo sal de cozinha, que segundo eles é corrosivo para pele delicada dos alieníginas(como é que eles sabem disso?). Importantíssimo!
Como diria a revista Seleções "Rir é o melhor remédio", no caso da revista Superinteressante desse mês, ficar deprimido é o melhor para tomar atitudes mais coerentes.Seria cômico, se não fosse trágico.Quem disse isso mesmo em?
CRISTIANE DE MELO - ALUNA DA ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO EM SAÚDE PÚBLICA DA UECE
quinta-feira, 21 de abril de 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Nossa... Que falta de absurdo!
A "falta de absurdo" caracteriza a ausência de absurdo, não um absurdo tão absurdo, que outro absurdo possa substituí-lo por ser de maior gravidade!
Todavia, pensando bem, sempre existe a possibilidade de algo absurdo, ser tão absurdo, que os outros absurdos desistam de sua enfadonha existência.
Um bom exemplo é querer educação de qualidade com professor insatisfeito com suas condições de trabalho e de vida!Nossa que "falta de absurdo"!
E a "falta de absurdo" pode se tornar ainda maior quando a própria presidenta Dilma diz "(...)que os professores são as verdadeiras autoridades da educação(...)".Nossa, quase chorei quando ouvi isso, mas logo percebi que não passava da mais total e absoluta "falta de absurdo"! Só falácia, retórica, mas nenhum governante que se preze pode perder uma oportunidade de falar da educação.
E ontem dia 6 de abril finalmente o STF resolveu liberar o piso dos professores, mas ainda permaneceu a dúvida a respeito da carga horária de trabalho.A dúvida que assolou os magistrados foi a seguinte: será que é constitucional o artigo da lei que prevê que o professor precisa ter tempo para planejar e estudar dentro de suas 40 horas semanais?
Que dúvida em?Qual professor precisa de tempo para estudar e planejar?
Depois dessa pessoal, só me resta contar um segredos dos professores, nós não estudamos, muito menos planejamos!E pode acreditar não tem uma aula que não baixe uma entidade em nós professores, por isso, desprezamos a pesquisa e o planejamento pois contamos sempre com a presença dos maiores especialistas, de acordo com o assunto selecionado. Além disso, somos totalmente apolíticos, sem visão de mundo e claro, médiuns!
Isso não é um absurdo, é uma "falta de absurdo".
CRISTIANE DE MELO - ALUNA DO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO EM SAÚDE PÚBLICA DA UECE
Todavia, pensando bem, sempre existe a possibilidade de algo absurdo, ser tão absurdo, que os outros absurdos desistam de sua enfadonha existência.
Um bom exemplo é querer educação de qualidade com professor insatisfeito com suas condições de trabalho e de vida!Nossa que "falta de absurdo"!
E a "falta de absurdo" pode se tornar ainda maior quando a própria presidenta Dilma diz "(...)que os professores são as verdadeiras autoridades da educação(...)".Nossa, quase chorei quando ouvi isso, mas logo percebi que não passava da mais total e absoluta "falta de absurdo"! Só falácia, retórica, mas nenhum governante que se preze pode perder uma oportunidade de falar da educação.
E ontem dia 6 de abril finalmente o STF resolveu liberar o piso dos professores, mas ainda permaneceu a dúvida a respeito da carga horária de trabalho.A dúvida que assolou os magistrados foi a seguinte: será que é constitucional o artigo da lei que prevê que o professor precisa ter tempo para planejar e estudar dentro de suas 40 horas semanais?
Que dúvida em?Qual professor precisa de tempo para estudar e planejar?
Depois dessa pessoal, só me resta contar um segredos dos professores, nós não estudamos, muito menos planejamos!E pode acreditar não tem uma aula que não baixe uma entidade em nós professores, por isso, desprezamos a pesquisa e o planejamento pois contamos sempre com a presença dos maiores especialistas, de acordo com o assunto selecionado. Além disso, somos totalmente apolíticos, sem visão de mundo e claro, médiuns!
Isso não é um absurdo, é uma "falta de absurdo".
CRISTIANE DE MELO - ALUNA DO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO EM SAÚDE PÚBLICA DA UECE
quinta-feira, 31 de março de 2011
O SUPER ATLETA ESPERMATOZÓIDE!!!!!!!!!!
Na Natureza, a luta pela sobrevivência entre as espécies começa bem mais cedo. Assim, se dá com o espermatozóide (2,7 milésimos de mm de comprimento é 85 mil vezes menor que o óvulo) na corrida pela fecundação do óvulo. Nos mamíferos, especialmente, no homem, esse pequeno atleta se prepara durante 74 dias para a mais longa e desgastante corrida da sua vida. Durante a maratona – 14 horas -, ele enfrenta a concorrência de milhões de outros espermatozóides que têm apenas um objetivo: Fertilizar o óvulo que está à espera da carga genética trazida pelo atleta vitorioso.
Ao que parece, a quantidade de espermatozóides ejaculada pelo macho de determinada espécie está ligada a um fator de disputa dos machos pela fêmea. Assim, nos gorilas, a quantidade de espermatozóides não passa dos 65 milhões; para outras espécies de primatas cuja disputa pela fêmea é mais intensa, a quantidade pode atingir 2 bilhões por ejaculação.
Para poupar energia para a viagem que terão que fazer rumo à fertilização, os espermatozóides permanecem imóveis até o momento da largada. Abaixo da cabeça do espermatozóide há uma espécie de bateria carregada de mitocôndrias, estruturas responsáveis pelo fornecimento de energia durante todo processo. Uma largada que - no caso da espécie humana – pode ter 500 milhões de indivíduos. Mas, em um homem fértil, somente 20% dos espermatozóides têm o tamanho e a forma ideal. Nos testículos humanos são produzidos 3.000 espermatozóides a cada batida do coração. Durante a viagem, o combustível usado é a frutose produzida na vesícula seminal. A única ajuda que os espermatozóides recebem em sua maratona vem da prostaglandina presente no líquido espermático que faz o útero se contrair impulsionando-os em direção às tubas uterinas. Quase tudo no aparelho reprodutor da fêmea atua contra os espermatozóides de maneira que, após 30 minutos no útero, pelo menos 99% deles já estão mortos. O útero está equipado com ferramentas – entre elas, os leucócitos que os englobam e despedaçam – para destruir os espermatozóides. Quase todo o aparelho reprodutor da fêmea foi projetado para matar os espermatozóides. Para elucidar parte do sacrifício que o espermatozóide humano terá que fazer, pesquisadores calculam que, o percurso desde a larga até a linha de chegada pode ser comparado a uma distância de 3.000 quilômetros nadados - pelo homem - em um charco lamacento e viscoso. E todo esse percurso – dos testículos até o óvulo - é feito em apenas 14 horas. Portanto, um desempenho extraordinário – em termos humanos, uma velocidade média 214 quilômetros por hora ou 60 metros por segundo – e impossível do ponto de vista de um ser humano. Apenas o colo do útero representa uma altura de um prédio de 10 andares. Depois de vencer essa subida, entram no colo do útero e somente 1% dos que entram tem chance de atravessá-lo. Dos milhões de espermatozóides que largaram somente 3.000 aproximadamente entra no útero. O muco produzido pelo aparelho genital da fêmea durante a fase fértil, sob a influência dos estrogênios também oferece uma das maiores barreiras – embora o estrógeno amacie o muco uterino, tornando-o mais fluído - aos espermatozóides na escalada rumo à fecundação. No caso específico de espécies como a égua que têm um aparelho genital mais longo, por exemplo, pode-se concluir que a energia exigida para concluir o percurso será ainda maior. Além do longo caminho a percorrer, o espermatozóide ainda terá que enfrentar outras dificuldades, como por exemplo, a pressão com que são arremessados contra as paredes da uretra durante a ejaculação Essa pressão é comparada a uma onda marítima de 4 metros de altura sobre um banhista. O espermatozóide ainda tem que abanar a cauda e a cabeça para um lado e para outro, numa frequência de aproximadamente 500 vezes por minuto. Não bastasse o longo caminho até o óvulo, deixando para trás milhões de concorrentes, na chegada, ele ainda tem que reunir forças para romper a zona pelúcida que reveste o óvulo. Mas, aquele que chegar primeiro não é ainda o vencedor. Os poucos que conseguem chegar ainda têm que romper o óvulo, dando início à fecundação. Para isso, ele carrega - na cabeça - uma espécie de bolsa (acrossomo), carregada de uma enzima (hialuronidase inespecífica que degrada o ácido hialurônico). A enzima é despejada sobre o óvulo, destruindo a pelúcida, permitindo a entrada do espermatozóide. Dos milhões de espermatozóides ejaculados – pelo homem - somente uns 200 chegam ao final da corrida. Os espermatozóides portadores do cromossomo Y (aquele que determina o sexo masculino), por serem mais leves e mais ágeis, chegam primeiro e trabalham durante cerca de 6 horas para romper o óvulo. Os espermatozóides portadores do cromossomo X (determinante do sexo feminino), mais pesados chegam por último e encontram uma zona pelúcida - trabalhada pelos espermatozóides portadores do cromossomo Y - mais fácil de ser penetrada. Assim, a chance de um espermatozóide portador do cromossomo X realizar a fertilização é maior que a do cromossomo Y que, embora tenha chegado primeiro e preparado tudo, já estava desgastado quando chegaram os cromossomos X. Assim, a quantidade de fêmeas que nasce é ligeiramente maior que a quantidade de machos.
Enquanto o cromossomo X é portador de 1.500 genes, o cromossomo Y tem apenas 78. O fato do espermatozóide portador do cromossomo Y apresentar um número insignificante de genes em relação ao cromossomo X - para alguns cientistas – dá possibiidade que nos próximos 125.000 anos, ele possa desaparecer da espécie humana; permitindo que,
O encontro entre espermatozóide e óvulo não é um acontecimento aleatório ou casual. Há estudos que comprovam que há uma espécie de comunicação química entre eles. Colocados – junto com um óvulo - numa placa de petri, por exemplo, os espermatóides passam a se locomover em direção a esse; não apresentando, portanto, movimento aleatório.
As dificuldades enfrentadas por um espermatozóide na realização de sua tarefa, não são obras do acaso. A Natureza foi projetada para a evolução. As dificuldades enfrentadas por uma determinada espécie constituem uma das ferramentas necessárias ao processo evolutivo. Então, por que não começar com os espermatozóides? Imagine uma fertilização sendo feita por um espermatozóide deficiente ou anâmalo? Seria um desastre para a espécie em questão. Por isso, a necessidade de tantos obstáculos – enfrentadas pelo espermatozóide – na corrida rumo à fertilização.
Siqueira, A. Alves de. Biologia de Animais Selvagens – ecologia em foco – O Fantástico Mundo dos Vertebrados. Volume I 428 pp.
Ao que parece, a quantidade de espermatozóides ejaculada pelo macho de determinada espécie está ligada a um fator de disputa dos machos pela fêmea. Assim, nos gorilas, a quantidade de espermatozóides não passa dos 65 milhões; para outras espécies de primatas cuja disputa pela fêmea é mais intensa, a quantidade pode atingir 2 bilhões por ejaculação.
Para poupar energia para a viagem que terão que fazer rumo à fertilização, os espermatozóides permanecem imóveis até o momento da largada. Abaixo da cabeça do espermatozóide há uma espécie de bateria carregada de mitocôndrias, estruturas responsáveis pelo fornecimento de energia durante todo processo. Uma largada que - no caso da espécie humana – pode ter 500 milhões de indivíduos. Mas, em um homem fértil, somente 20% dos espermatozóides têm o tamanho e a forma ideal. Nos testículos humanos são produzidos 3.000 espermatozóides a cada batida do coração. Durante a viagem, o combustível usado é a frutose produzida na vesícula seminal. A única ajuda que os espermatozóides recebem em sua maratona vem da prostaglandina presente no líquido espermático que faz o útero se contrair impulsionando-os em direção às tubas uterinas. Quase tudo no aparelho reprodutor da fêmea atua contra os espermatozóides de maneira que, após 30 minutos no útero, pelo menos 99% deles já estão mortos. O útero está equipado com ferramentas – entre elas, os leucócitos que os englobam e despedaçam – para destruir os espermatozóides. Quase todo o aparelho reprodutor da fêmea foi projetado para matar os espermatozóides. Para elucidar parte do sacrifício que o espermatozóide humano terá que fazer, pesquisadores calculam que, o percurso desde a larga até a linha de chegada pode ser comparado a uma distância de 3.000 quilômetros nadados - pelo homem - em um charco lamacento e viscoso. E todo esse percurso – dos testículos até o óvulo - é feito em apenas 14 horas. Portanto, um desempenho extraordinário – em termos humanos, uma velocidade média 214 quilômetros por hora ou 60 metros por segundo – e impossível do ponto de vista de um ser humano. Apenas o colo do útero representa uma altura de um prédio de 10 andares. Depois de vencer essa subida, entram no colo do útero e somente 1% dos que entram tem chance de atravessá-lo. Dos milhões de espermatozóides que largaram somente 3.000 aproximadamente entra no útero. O muco produzido pelo aparelho genital da fêmea durante a fase fértil, sob a influência dos estrogênios também oferece uma das maiores barreiras – embora o estrógeno amacie o muco uterino, tornando-o mais fluído - aos espermatozóides na escalada rumo à fecundação. No caso específico de espécies como a égua que têm um aparelho genital mais longo, por exemplo, pode-se concluir que a energia exigida para concluir o percurso será ainda maior. Além do longo caminho a percorrer, o espermatozóide ainda terá que enfrentar outras dificuldades, como por exemplo, a pressão com que são arremessados contra as paredes da uretra durante a ejaculação Essa pressão é comparada a uma onda marítima de 4 metros de altura sobre um banhista. O espermatozóide ainda tem que abanar a cauda e a cabeça para um lado e para outro, numa frequência de aproximadamente 500 vezes por minuto. Não bastasse o longo caminho até o óvulo, deixando para trás milhões de concorrentes, na chegada, ele ainda tem que reunir forças para romper a zona pelúcida que reveste o óvulo. Mas, aquele que chegar primeiro não é ainda o vencedor. Os poucos que conseguem chegar ainda têm que romper o óvulo, dando início à fecundação. Para isso, ele carrega - na cabeça - uma espécie de bolsa (acrossomo), carregada de uma enzima (hialuronidase inespecífica que degrada o ácido hialurônico). A enzima é despejada sobre o óvulo, destruindo a pelúcida, permitindo a entrada do espermatozóide. Dos milhões de espermatozóides ejaculados – pelo homem - somente uns 200 chegam ao final da corrida. Os espermatozóides portadores do cromossomo Y (aquele que determina o sexo masculino), por serem mais leves e mais ágeis, chegam primeiro e trabalham durante cerca de 6 horas para romper o óvulo. Os espermatozóides portadores do cromossomo X (determinante do sexo feminino), mais pesados chegam por último e encontram uma zona pelúcida - trabalhada pelos espermatozóides portadores do cromossomo Y - mais fácil de ser penetrada. Assim, a chance de um espermatozóide portador do cromossomo X realizar a fertilização é maior que a do cromossomo Y que, embora tenha chegado primeiro e preparado tudo, já estava desgastado quando chegaram os cromossomos X. Assim, a quantidade de fêmeas que nasce é ligeiramente maior que a quantidade de machos.
Enquanto o cromossomo X é portador de 1.500 genes, o cromossomo Y tem apenas 78. O fato do espermatozóide portador do cromossomo Y apresentar um número insignificante de genes em relação ao cromossomo X - para alguns cientistas – dá possibiidade que nos próximos 125.000 anos, ele possa desaparecer da espécie humana; permitindo que,
O encontro entre espermatozóide e óvulo não é um acontecimento aleatório ou casual. Há estudos que comprovam que há uma espécie de comunicação química entre eles. Colocados – junto com um óvulo - numa placa de petri, por exemplo, os espermatóides passam a se locomover em direção a esse; não apresentando, portanto, movimento aleatório.
As dificuldades enfrentadas por um espermatozóide na realização de sua tarefa, não são obras do acaso. A Natureza foi projetada para a evolução. As dificuldades enfrentadas por uma determinada espécie constituem uma das ferramentas necessárias ao processo evolutivo. Então, por que não começar com os espermatozóides? Imagine uma fertilização sendo feita por um espermatozóide deficiente ou anâmalo? Seria um desastre para a espécie em questão. Por isso, a necessidade de tantos obstáculos – enfrentadas pelo espermatozóide – na corrida rumo à fertilização.
Siqueira, A. Alves de. Biologia de Animais Selvagens – ecologia em foco – O Fantástico Mundo dos Vertebrados. Volume I 428 pp.
quarta-feira, 23 de março de 2011
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